Coisa de menina
Eu devia ter uns 17 anos, ia e voltava do trabalho usando um ônibus fretado. Na volta o ônibus era bem vazio, pegava só eu e mais umas 4 pessoas. Todo dia na volta quando eu entrava no ônibus via que um rapaz ficava me olhando, as vezes eu correspondia, as vezes não.
Um dia entrei no ônibus e ela estava lá, sentado no lugar de sempre, segurando uma rosa. Entrei, sentei no meu lugar e de – repente ele veio até mim e perguntou se poderia se sentar comigo, conversamos um pouco e ele disse que tinha trazido a rosa para mim, achei que ele teve no mínimo atitude, não é todo mundo que tem essa coragem de arriscar. Deste dia em diante eu passei a me sentar com ele todo dia, conversávamos bastante, descobrimos algumas afinidades e algumas diferenças também, nos beijamos lá mesmo no ônibus. Era final de ano, e me lembro que ele me deu um bonequinho, daqueles que tem a cabeça feita de porcelana e o corpo em tecido,era um pierrot vestido de vermelho, com a gola da roupa peludinha, como a barra do casaco do Papai Noel, ele era mesmo um cara muito atencioso.
Chegamos sim a iniciar um casinho, um namorico, sei lá. Mas nossa história nem chegou a sair de onde começou. Nunca nos encontramos em outro lugar que não fosse o ônibus, começamos e terminamos no mesmo lugar. Nesta época, eu, como toda adolescente era muito confusa, muito complicada, fugia sempre dos convites que ele me fazia para sair. Terminei com ele inventando que tinha resolvido voltar a namorar com um ex-namorado, o que no momento era mentira, mas até chegou a acontecer.
São casinhos assim que fazem a adolescência ser uma fase tão boa da vida, pena que a gente descobre só depois que passa.